Páginas

terça-feira, 16 de março de 2010

A gota de água

Será que temos a capacidade de sentir que o que está para vir é realmente a gota de água? Aquela acção, aquele gesto, aquela palavra que nos vai fazer saltar a tampa e dizer tudo aquilo que tanto nos esforçamos para esconder e ignorar? Será que por mais extenso que seja um oceano, uma gota de água fará realmente alguma diferença? Será que o impacto dela na água irá causar ondas e mais ondas, e finalmente dar origem ao tão esperado tsunami? Será que vale a pena pegar no que sentimos, e fazer disso a nossa libertação? Simplesmente tirar o pirolito da panela de pressão e deixar sair tudo? Será que vale mesmo a pena?

Costuma-se dizer que os nossos actos são uma extensão dos nossos pensamentos mas... será que é mesmo assim que as coisas funcionam? Será que tudo aquilo que dizemos ou fazemos quando nos salta a tampa é mesmo aquilo que pensamos? Aquilo que nos define? Como se por breves instantes pudéssemos esquecer todas as regras de boa educação, ignorar o que os outros pensam sobre nós, e simplesmente dizer aquilo que há tanto tempo guardamos só para nós, sem pensar nas consequências? Ou será que todos nós sofremos de dupla personalidade e por vezes somos controlados por esse lado obscuro, o tal génio maléfico que diz coisas que nós até nem concordamos muito e depois nos arrependemos e pedimos desculpas vezes e vezes sem conta?  Oh pah desculpa lá... eu até nem queria dizer aquilo.... a situação não era assim tão insustentável.... eu é que estava a exagerar e tal....

Era bom poder acreditar que algures dentro de mim vive um personagem obscuro, mal educado que quando solicitado só diz as verdades que ninguém quer ouvir, mas quando era pequeno também acreditava no Pai Natal, e nas cenas da chaminé, e dos presentes e tal, mas depois parei para pensar e percebi que em minha casa nunca houve lareira ou chaminé.... por isso ou o Pai Natal era um gatuno que arrombava a porta da casa para deixar as prendas ou então ele simplesmente não existia. Isto tudo para concluir que eu acho que nós somos como uma fossa céptica. Sim! Não fiquem escandalizados por me estar a comparar com um monte de merda... é verdade! Quando está vazia está tudo bem, até nem cheira mal nem nada, mas depois começa a encher e o cheiro começa a incomodar. Depois um dia simplesmente não cabe mais nada e começa a transbordar merda por todos os lados. Mas de quem é a merda afinal? Que eu saiba ninguém vai lá a casa de propósito para cagar! É claro que a merda é nossa.... fomos nós que a colocamos lá, apenas nos esquecemos dela enquanto ela não nos incomodou!

Ou seja, tudo aquilo que dizemos nestes preciosos momentos de pura inspiração, vem de dentro de nós. São todos aqueles pequenos detalhes, gestos, atitudes, expressões que na altura simplesmente não damos o devido valor, mas que guardamos cá dentro na nossa fossa!

Enfim.... será que estou a perder o meu precioso tempo a questionar o que não é questionável? Será que a próxima é mesmo a tal gota de água?

Não vale a pena pensar muito nisso ... mas vamos esperar que não!

Sem comentários:

Enviar um comentário